segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ja agradeceu hoje?

    Eu sei que escrever o que eu escreverei agora vai ter nenhum resultado no âmbito mundial, não vai adiantar quase nada diante as grandes instituições e muito pouco provavelmente despertará tal interesse que um texto todo apaixonado e meloso despertaria.
    Infelizmente eu tive que ficar doente, ir para o hospital e ver cenas que eu preferia nunca ter visto para que eu me desse conta de que a minha vida é perfeita.
    Não entendeu? Eu explico!
    Eu comecei a passar mal durante a madrugada, liguei para o meu tio dizendo o que estava acontecendo e ele me levou ao hospital. Para não ter que pagar os juros que o plano de saúde cobra por cada consulta nós fomos a um posto de saúde público. Quando eu cheguei nesse posto eu fiquei horrorizada.
    Tinha velhinhos, idosos que custavam a ficar em pé, esperando horas na fila sem nem uma maca para deitar.
    Tinha bebês, que provavelmente não vão se lembrar de nada disso, chorando porque estavam sentindo dores e conseqüentemente havia mães se sentindo extremamente culpadas por não serem capaz de controlar tal dor.
    Havia um grupo de adultos – eram irmãos – desesperados porque o pai deles seria levado para a UTI e a única chance de que ele pudesse sair de lá seria se eles comprassem um aparelho caríssimo para auxiliar o velhinho na respiração (e eles não tinham condições para isso).
    Havia uma mãe totalmente desesperada porque a filhinha ardia em febre e ninguém fazia nada.
    Havia um menininho de uns 7 anos vomitando desesperadamente, as vezes vomitava sangue, e todos os enfermeiros passavam por ele completamente indiferentes.
    Foi vendo tudo isso que após 15 minutos sentada na fila, eu decidi procurar um hospital particular – que o plano de saúde cobria.
    Durante todo o trajeto eu me senti completamente “suja” por nunca ter parado para pensar que existem milhões de pessoas em condições extremamente piores! Eu estava naquele posto de saúde com a consciência de que “se ali não desse certo” eu iria pagar um outro hospital... eu tinha escolha! Mas havia gente que estava ali por necessidade, estava ali porque não tinha como pagar um médico... eles não tinham escolha!
    Nesse ponto a dor já era mais emocional do que física. Meu corpo todo doía, mas a minha consciência era infinitamente mais pesada.

    Quantas vezes nós reclamamos porque a nossa mãe não fez aquele nosso prato preferido... enquanto isso, em muitos lugares – talvez até mesmo numa rua próxima a sua casa – tem gente que não tem nem pelo o que questionar, não tem nem metade daquilo que você tem.
    Quantas vezes nós reclamamos de acordar cedo para ir para escola... enquanto isso tem milhares de crianças atravessando rios e quilômetros de estradas para ter um ensino altamente desqualificado – sem contar aquelas que nem tem escola.
    Quantas vezes nós vamos nos arrumar para sair e nos pegamos dizendo a famosa frase: “não tenho roupas, não tenho sapatos!”... enquanto isso muita gente sente na pele o que realmente é não ter roupa nem ter sapatos.
    Quantas vezes nós reclamamos que a mesada é pequena, que o dinheiro é pouco para as nossas necessidades... enquanto isso tem milhares de pessoas que não tem nem metade da sua mesada para sustentar toda uma família.
    O que eu quero dizer com isso? Aonde eu quero chegar? Eu quero abrir os seus olhos para um mundo que esta ficando totalmente esquecido; eu quero chamar a sua atenção para que você, um momento se quer, olhe além do seu próprio umbigo e enxergue o que é uma vida difícil, o que é uma vida sem oportunidades e uma vida sem luxo.
    Pelo simples fato de você poder estar lendo esse texto, você deveria agradecer... muitas crianças nunca, se quer, encostaram num computador!
    Já é hora de pararmos de sermos egoístas. Se você não se acha capaz de ajudar quem precisa, pelo menos agradeça aquilo que você tem. Se você acha completo desperdício doar as roupas que você já nem usa para uma instituição, pelo menos agradeça por tê-las (e eu espero que um dia você se convença de que ser egoísta nunca levou ninguém a lugar nenhum)!
    Vamos ser menos hipócritas, menos insensíveis. Comece hoje, agora, a fazer o bem à algumas pessoas. Mesmo que isso não surte um efeito milagroso no mundo, mas a idéia de consciência limpa é extremamente prazerosa.
    Que seja na sua rua, na sua cidade ou até mesmo no seu prédio... mas faça alguém feliz! Tente dar à alguma criança carente a alegria de ganhar um presente – mesmo que esse presente seja aquela boneca velha que você nem olha mais.
     Pense, reflita, ajude! Ajudar ao próximo é dar a si mesmo um aprendizado enorme, é dar-se uma chance de sentir emoções que só quem ajuda entende!

     E ai? Já agradeceu hoje?! :D

4 comentários:

  1. Infelizmente essa é a nossa realidade e só cabe a nós mesmos muda-lá...

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  2. a Lara SABE escrever bem ! e o mais triste é saber qe tudo isso não passa da realidade. :/

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  3. devemos parar e pensar bem, nas nossas atitudes mesmo ! casa um fazendo sua parte, conseguiremos ter um mundo melhor.. voce sozinho concerteza não conseguira melhorar a vida de todas as pessoas carentes! mas o pouco que voce fizer, sera muito, mas muito satisfatório mesmo !

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